Não, o Google Glass NÃO foi um fracasso!

O Google causou um grande furor no mercado quando anunciou o Google Glass em 2012. O óculos inteligente gerou uma alta expectativa no mercado de tecnologia, sobretudo entre os geeks e desenvolvedores.

Aquele parecia o início de uma grande transformação no universo da tecnologia a nível mundial, uma mudança que não se poderia mais voltar atrás. O Glass, não apenas foi uma grande aposta do Google, como também foi fundamental para popularizar os conceitos de Computação Vestível e Internet das Coisas, movimentando todo um mercado por traz desses conceitos e nos trazendo uma série de ideias futurísticas a respeito de como será o mundo nos próximos anos.

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Foi sobre essa grande expectativa que foi lançada em fevereiro de 2013, uma versão inicial do Google Glass exclusiva para desenvolvedores e formadores de opinião. Esta versão recebeu o nome de Google Glass Explorer Edition e saiu com um preço de U$ 1.500. 2 anos depois, o produto foi retirado do mercado e descontinuado, fato que foi noticiado de forma equivocada e extremamente sensacionalista pela imprensa. Eu explico.

O fato é: o próprio Google já lançou o Google Glass com a ideia de retirá-lo do mercado poucos anos depois.

Sério???

Sim, sério. Por se tratar de um produto novo, o Google ainda tinha uma série de hipóteses e perguntas ainda sem resposta. E precisava lançar um protótipo no mercado para coletar os feedbacks dos usuários com o objetivo de entender seus principais usos, aplicações e aí sim, desenvolver um produto final com base nos feedbacks coletados. Trata-se de uma estratégia muito comum. Startups fazem isso quando lançam um MVP de seu produto e testam no mercado. Gigantes de tecnologia, como o Google também fazem.

Basicamente o Google tinha uma série de perguntas sobre o produto, tais como:

  1. Quem serão os usuários do Google Glass?
  2. Como eles utilizarão o Google Glass?
  3. Que tipo de aplicações os desenvolvedores poderão desenvolver para o Glass?
  4. Qual será o principal tipo de uso? Para uso pessoal ou para uso corporativo em aplicações específicas?
  5. Em quais contextos o Glass será utilizado?

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Duas questões ficaram bem claras com o experimento: a primeira é preocupação com privacidade, de certa forma inevitável, uma vez que equipado com o Glass, o usuário teria acesso fácil e rápido a uma câmera, que pode ser disparada por um comando de voz ou até por uma piscadela.

A outra questão é que o Glass se mostrou mais aplicável em contextos corporativos do que para o uso pessoal. Surgiram inúmeras aplicações para o ambiente industrial, para auxiliar os operários a montarem produtos, realizarem suporte remoto e até mesmo poderosas soluções de logística para armazenamento e separação de produtos equipadas com leitores de código de barra ou QR Codes.

Depois de 2 anos, ou seja, no começo de 2015, o Google finalizou o experimento e descontinuou a versão explorer para se focar na versão final do produto: o Google Glass Enterprise Edition. A partir de então a gigante de tecnologia trabalharia em uma versão mais focada no mercado corporativo.

Muito se especula sobre como será a versão Enterprise. Mas enquanto ela não chega, a versão explorer continua sendo vendida para empresas parceiras. O Google limitou a venda apenas para o consumidor final (pessoa física), mas ainda é possível adquirir o gadget para o desenvolvimento de projetos nas empresas.

Quer descobrir como obter um Google Glass para um projeto em sua empresa? Entre em contato conosco por e-mail: [email protected]

 

Flávio França é CEO e fundador da Media Glass, a pioneira no Brasil em aplicativos para Tecnologias Vestíveis. Flávio é também um dos primeiros Google Glass Explorers do Brasil e é palestrante em eventos de empreendedorismo e inovação.


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